Hoje eu acordei! Acordei e pensei: como eu gostaria que esse espetáculo acontecesse? Ou: o que eu gostaria que acontecesse com as pessoas que, talvez, um dia o assistam? Pensei que gostaria que todos os corpos presentes no teatro pudessem compreender que o que nos separa de nós mesmos, o que nos faz perder a liberdade de viver, é essa dificuldade de não praticarmos diariamente a morte. Gostaria, também, que todos ali presentes considerassem todos os outros ali presentes como sendo eles próprios, algo assim como disse o indiano Shantideva:

“Toda a alegria que há neste mundo vem do desejo de que os outros sejam felizes, e toda a dor que há neste mundo vem do desejo de que eu mesmo seja feliz”.

E, por fim, gostaria que o Teatro, com todos os seus temas e emblemas, continue, por muitos e muitos anos, sendo uma experiência coletiva de fluidez, liberdade, presença e imprevisibilidade.

P.S.: Escrevo este pequeno texto em São Paulo, no dia 4 de dezembro de 2019, às 11:45 da manhã e estes são os meus desejos para um futuro que ainda não chegou, são sonhos e sonhos, sonhos são!

YARA DE NOVAES
Direção